EGO

"Eu não sou promíscua. Mas sou caleidoscópica: fascinam-me as minhas mutações faiscantes
que aqui caleidoscopicamente registro."

(Clarice Lispector)

terça-feira, 23 de junho de 2015

da falta de crença na pseudo-divindade inventada

Minha surdez oblíqua vem me afastar dos verbos transeuntes encharcados de mentiras e mal entendidos. E assim me afasto dos deuses populares e me assemelho aos demônios que tanto andam na boca dessas pessoas estranhas, de vícios mais torpes que os meus. E regurgito minhas verdades, raspo a cabeça e sou penitenciada com pensamentos silenciosos. E mando pro inferno cada boa intenção mentirosa e hipócrita que venha de encontro a cada remendo do que sou, a cada fragmento, cada partícula torta do que creio e do que me faz inteira e imperfeita aos olhos do pasto que é a multidão cega. E me embebedo e divirto com cada vírgula, cada morte justificada em nome de algo divino, da palavra que não se sabe qual é e anda nas bocas caluniosas dos bem intencionados. Aterrorizo-me com o que deveria me apaziguar e com os puros de alma, com as vontades divinas proferidas por bocas tão certas de verdades mentirosas e calúnias celestiais.
Não me assusta a corja de pseudo-adoradores de pseudo-invenções divinas.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Da abstinência

De repente acordo me revirando por baixo das estrias, dos encaixes desencontros, dos remendos. Dobradiças me mantêm ereta. E não é o medo que me emudece, é a falta dele. É a paz ensurdecedora. E percebo que o que me move é o caos, uma guerra sempre inacabada, os vícios, a loucura. Há uma contenção insuportável para o que há de monstruoso e que é tão amável aos meus olhos e paladar. Porque a estranheza mantém vivo esse desejo réptil que se arrasta por baixo da pele, da carcaça outrora inquieta, e sinto falta do gosto imaginário de sangue na boca. Dos cheiros ácidos. Do desejo de quase morte e sons guturais. Porque de repente tudo é morfina e frio. Oco. Abstinência. 

Sinto falta da inconstância molhada do que há por dentro. Perdi-me da violência das marés. Mas sinto que meu demônio me espera ao pé da cama - grave, tenso, violento. E com ele vem a cadência pulsante e destruidora e hemorrágica que minha língua-víbora apaziguou com outra droga.

E de lamber novamente o espelho, expurgo de minha embriaguez a besta crua da ferida translúcida. Meus estilhaços me sorriem com deboche.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Saiu o livro! Um bocado de amor e outras guerras

Queridos amigos, leitores, parentes, colegas de ônibus ou simples stalkers:
O livro tá pronto! E ficou lindo.
Vou contar procês como rolou esse negócio de publicar.
Há algum tempo, o amigo, escritor fodástico e grande incentivador André Braga fez uma seleção de um punhado de textos meus e me enviou dizendo: "olha, se você publicar, acho que têm que ser esses aqui". André já havia enviado material meu pra Tânia Tiburzio, que passou a publicá-los assiduamente no Mundo Mundano.
Tempo passou, e nunca fiz nada com isso. Mas... maaas... O namorado (Fabio Bocco) passou a mão no material, escolheu uma ilustração minha e enviou pra Letra Capital sem eu saber. Voilá! Ganhei meu livro publicado de presente de aniversário de namoro. Vamos combinar, o cara é criativo, né? Ah, e de quebra ainda pediu pro Jim Duran (também escritor da melhor safra, um amigo incrível e também incentivador) escrever a apresentação do livro - que, confesso, me arrancou lágrimas.
Então é isso. Taí o livro de poesias, prosa poética ou o que quer que seja. Tem um bocado de mim dentro dele. Um bocado de vida. Um bocado de amor e outras guerras.

Para adquirir seu exemplar, entre em contato pelo e-mail andressa.furtado@gmail.com. Ou deixe seu comentário com e-mail aqui que entro em contato. :)

Valor: R$ 25,00 + frete


sábado, 20 de setembro de 2014

entremeios

Eu te roubaria a vida
pra lamber verdades em tua boca surda
e despejar meia dúzia de loucuras na mudez dos teus ouvidos.
E se há desejo nesse vazio que se forma na sombra
da curva desesperada do meu hospício particular,
é aí que encontro os detritos do que me faz inteira.
É no vácuo que me transformo em mim.
É no espaço entre as palavras meu existir sem freio
sem modéstia ridícula ou retidão mentirosa.
É torto, torto o existir e as vírgulas.
E essa pausa-suspiro que separa mundos, arde
arde e confina os significados inteiros,
parte a língua e as virtudes imaginárias de quem diz.
Bebe essa verdade em goles largos
e respira fundo e lento
porque não tenho pressa.
Tenho horror e o horror me excita a pele
- combustível da infinitude sombria da minha clausura-inconstância.



domingo, 20 de julho de 2014

Simple as hell

"Why do you look at me when you hate me
Why should I look at you
When you make me hate you too
I sense a smell of retribution in the air
I don't even understand why the fuck you even care
And I don't need your jealousy yeah
Why drag me down in your misery?"

Get in the ring - Guns 'n Roses