EGO

"Eu não sou promíscua. Mas sou caleidoscópica: fascinam-me as minhas mutações faiscantes
que aqui caleidoscopicamente registro."

(Clarice Lispector)

segunda-feira, 30 de julho de 2007

frio...


É frio e úmido o quarto -
canto escuro de minh'alma...
O mofo das paredes
continua a se alastrar
engolindo todo o lugar,
sem piedade do velho
que o habitou um dia,
devorando - com gana - memórias,
imagens, sorrisos e melodia.


sábado, 28 de julho de 2007

venom...


Ela espera fazê-lo provar da boca gentil e suave que sorri, quase angelical. Precisa fazer com que os lábios se encontrem para que deposite nos dele o veneno que o fará retornar para mais um pouco...

"Mimosa boca errante
à superfície até achar o ponto
em que te apraz colher o fruto em fogo
que não será comido mas fruído
até se lhe esgotar o sumo cálido
e ele deixar-te, ou o deixares, flácido,
mas rorejando a baba de delícias
que fruto e boca se permitem, dádiva..."
(C.D.A)


conversa ao pé do ouvido...

quinta-feira, 26 de julho de 2007

poesia...


encarnada flor

a espera do toque
da língua, dos dedos,
nas furtivas horas da madrugada.
Rubra rosa despetalada
em gôzo latejante
regada de orvalho em poesia...


the origin of the world...

filosofia...


A
primeira e fundamental verdade filosófica, segundo Sócrates:
"Só sei que nada sei."

Sempre há dúvidas. Não há como fugir delas.

angel...


He had an angel's name... but every now and then i wonder: is he really an angel ou maybe a devil in disguise?
Maybe both...

quarta-feira, 25 de julho de 2007

...

"E quando vi meu demônio, achei-o sério, exaustivo, profundo, solene: ele era o próprio espírito da gravidade - e através dele todas as coisas caíam."

Nietzsche


mário quintana...

"Por favor, não me analise
Não fique procurando cada ponto fraco meu.
Se ninguém resiste a uma análise profunda,
Quanto mais eu...
Ciumento, exigente, inseguro, carente
Todo cheio de marcas que a vida deixou
Vejo em cada grito de exigência
Um pedido de carência, um pedido de amor.

Amor é síntese
É uma integração de dados
Não há que tirar nem pôr
Não me corte em fatias
Ninguém consegue abraçar um pedaço
Me envolva todo em seus braços
E eu serei o perfeito amor."

terça-feira, 24 de julho de 2007

a inocência perdida de Nina...


Nina sentia-se cansada. Caminhou até a margem do rio e olhou para sua imagem refletida na água. Os olhos, que antes eram castanhos e vivos, tornaram-se amarelados e tristes. Pela primeira vez sentiu raiva. Sentiu raiva do vento por tê-la abandonado à propria sorte; sentiu raiva do demônio que a mantinha sob sua custódia; sentiu raiva de si mesma por não ter morrido definitivamente na queda. Sentiu raiva do monstro que estava se tornando... Não conseguia lembrar de como era sorrir.
O demônio aproximou-se de seu ouvido e murmurou:
- Não tentes lutar, Nina. O dragão em ti precisa se libertar... Deixe-o vir, pequena Nin...
Antes mesmo que ele terminasse de pronunciar seu nome, Nina virou-se e gritou, fazendo com que o fogo preso em sua garganta atingisse a besta.
Nina assustou-se e recuou, sem acreditar no que acabara de fazer.
O demônio gargalhou alto e encheu de terror a alma da pobre Nina. A satisfação estampada nele era sombria e fazia com que ela sentisse novamente a dor aguda no peito.
- É a tua raiva, criança! A cada instante torna-se tão vil quanto eu!
O animal tomou-a à força e a arrastou para o centro da figura marcada a sangue no solo. Nina gritava e, a cada grito, chamas eram lançadas pela sua boca. Sentiu que o ar faltava. A dor irrompeu o ventre. Não era apenas o peso do corpo sobre o dela, mas o mundo inteiro pesava ali. A saliva do animal ofegante gotejava em sua fronte, enquanto grasnava qual um corvo. Ele acabara de tomar a inocência que ainda restava nela...
- Bem vinda ao inferno, minha doce senhora...


música do dia...


Olhei até ficar cansado
de ver os meus olhos no espelho

Chorei por ter despedaçado

as flores que estão no canteiro

Os punhos e os pulsos cortados

E o resto do meu corpo inteiro

Há flores cobrindo o telhado
Embaixo do meu travesseiro
Há flores por todos os lados
Há flores em tudo o que eu vejo

A dor vai curar essas lástimas
O soro tem gosto de lágrimas

As flores tem cheiro de morte

A dor vai fechar esses cortes

FLORES
FLORES

As flores de plástico não morrem


[FLORES, Titãs]


segunda-feira, 23 de julho de 2007

tempo...


As pessoas perdem a noção do tempo, e com ela, a noção do espaço.
Há um tempo e um espaço dedicados a cada um; há sempre palavras e atitudes certas que preenchem as lacunas. Por falta de atenção - ou até mesmo por descaso - as pessoas fazem com que as atitudes virem pequenos animais alados que, após criarem asas, não conseguem mais voltar ao pequeno cativeiro que chamamos de ocasião...

Faz sentido? Sei lá... Foi um pensamento que me perturbou o sono e me fez querer escrever...
Como acho que palavras e atitudes precisam ser encaixadas nos momentos certos, preferi não perder a ocasião...


domingo, 22 de julho de 2007

de volta à floresta...


Sentiu novamente a pontada no peito. Era como se o coração fosse parar de bater. Desde que se jogou da torre, não tinha certeza se estava viva ou se aquela seria sua morte em seu inferno particular. Precisaria de algo que aliviasse a dor e o fogo que lhe queimava a garganta, o mesmo fogo que, aos poucos, tomava o resto de seu corpo. Nina lembrou-se do vento e chorou. Não queria estar ali. Mas não sabia como voltar ou como parar a mudança que ocorria dentro dela. A mudança era de dentro para fora. Estava morrendo aos poucos: primeiro, a morte física... agora, sua alma estava sendo tomada... Olhou as mãos e viu garras afiadas. A pele continuava branca e macia... mas até quando?

Perdida em seus pensamentos, Nina foi surpreendida pelas mãos do demônio percorrendo suas ancas. Ele a puxou com força de encontro ao seu corpo, explicitando seu desejo. Nina virou o rosto e fechou os olhos, repudiando o monstro.

- Não tenho pressa, pequena Nina... Agora temos todo o tempo do mundo...

sábado, 21 de julho de 2007

stella...


Stella is great... Stella takes me to heaven... Stella makes me "mmmmmmmm"... Stella Artois is a great beer!
You sick minds...
:)


víscera...


O
ódio, tal como o amor,
é sentimento visceral.
Não há como precisar o momento
em que nasce ou o momento em que morre.
Desperta-se e percebe-se
que há sangue na boca e
pele embaixo das unhas.
Do outro lado do cômodo jaz
a figura exangue com o peito aberto
e os restos do coração no colo.


segundo Shakespeare...


"Life's but a walking shadow, a poor player
That struts and frets his hour upon the stage
And then is heard no more. It is a tale
Told by an idiot, full of sound and fury,
Signifying nothing."


silence...

SONNET- SILENCE

Edgar Allan Poe, 1840


There are some qualities- some incorporate things,
That have a double life, which thus is made
A type of that twin entity which springs
From matter and light, evinced in solid and shade.
There is a two-fold Silence- sea and shore-
Body and soul. One dwells in lonely places,
Newly with grass o'ergrown; some solemn graces,
Some human memories and tearful lore,
Render him terrorless: his name's "No More."
He is the corporate Silence: dread him not!
No power hath he of evil in himself;
But should some urgent fate (untimely lot!)
Bring thee to meet his shadow (nameless elf,
That haunteth the lone regions where hath trod
No foot of man,) commend thyself to God!


sexta-feira, 20 de julho de 2007

aos vinte e poucos...

Ele resistiu o quanto pôde...

Estavam sozinhos na casa aquela tarde. Costumavam se reunir uma ou duas vezes por semana para conversar e assistir videos. Ela deitou-se ao seu lado na cama e juntos começaram a ler e ouvir música... Apesar dos vinte e poucos anos, ele ficava extremamente tenso toda vez em que ela estava muito próxima. Eram amigos demais; ela gostava de imaginar que eram comparsas.

Ele era divertido e tinha um "quê" de melancolia em seu olhar. Era muito tímido e um pouco pessimista, detalhe que a irritava às vezes, mas tinha uma mente brilhante.

Naquela tarde fria e chuvosa ela sugeriu que ele buscasse um cobertor para que eles se aquecessem. Ele, sem pestanejar, dirigiu-se ao armário do quarto e apanhou um cobertor imenso. Voltou para a cama e a cobriu, entrando também embaixo da coberta. Ela ria e fazia graça das reações dele, sempre tenso demais, cauteloso demais, educado demais.

Depois de uma breve discussão sobre o capítulo 7 do livro - teimosia era uma outra característica interessante do jovem - ela disse sentir fome. Levantaram-se e foram para a cozinha, onde ele a desafiou:
- Quero ver se vc sabe fazer um brigadeiro melhor que o meu, "flor do dia" - ele adorava chamá-la assim.
- Vai comer o melhor brigadeiro da sua vida, engraçadinho...

E ela começou, fazendo caras e bocas engraçadas, franzindo o cenho, como se estivesse entretida no meio de alguma experiência química que pudesse revolucionar a humanidade.
Ele observava quieto cada movimento, cada detalhe, até ela dar um pulo em sua direção e gritar: "Voilá!"
Ele assustou-se, pois estava imerso em pensamentos que nunca tivera antes.
Ela pegou a panela e duas colheres e o chamou de volta para o quarto.
- A cozinha está fria. Vamos voltar para as cobertas...
Ele a seguiu.

Enfiaram-se novamente na cama. Deram colheradas no chocolate ainda morno, e acabaram voltando à discussão sobre o capítulo 7.

Ela sujou o dedo na panela de chocolate e passou no canto da boca do rapaz.
- Ei! - olhou indignado para ela - Eu também sei fazer isso!
E revidou.
Olharam-se e silenciaram. Ela aproximou-se do rosto dele e passou a língua no canto de seus lábios, para limpar o chocolate que havia posto ali. Olharam-se novamente. Beijaram-se.
Ele tirou a panela das mãos dela, deixando o caminho livre para que pudessem ficar mais próximos. Bem próximos. Muito próximos.

Sem que os lábios se separassem, deitaram e as mãos dele acariciaram os cabelos da moça que tinha a respiração mais intensa e o pulso acelerado. Ela mordia levemente os lábios dele, fazendo com que ele suspirasse. As mãos começaram a descer pelo pescoço, ombros, seios, passando pela cintura e alcançando os quadris. Estava excitado demais e a puxava cada vez mais forte contra seu corpo. Ela entreabria a boca e soltava pequenos gemidos, com as duas línguas ainda enroscadas.

Ele começou a tirar-lhe a blusa, sempre com cautela, com certo receio de que talvez estivesse avançando o sinal. Ela acenou com a cabeça, consentindo. A pele dela estava quente. Ela passou as unhas por dentro da blusa dele, nas costas, deixando o rapaz arrepiado e mais excitado.

Ainda cuidadoso, tirou-lhe o soutien. Acariciou os seios brancos e desceu o rosto na direção do colo dela. Sem parar o que fazia, passou os dedos novamente na panela de chocolate que encontrava-se na mesinha ao lado da cama e passou nos seios da moça. Lambeu e abocanhou os mamilos como se quisesse tomá-los definitivamente para si. Ela soltava gemidos e enlaçava os dedos nos cabelos dele, apertando-lhe contra seu peito.

As mãos do rapaz começavam a acariciar as pernas dela, subindo pelo meio das coxas até alcançar a calcinha. Seus dedos puxaram o tecido e tocaram o sexo molhado e quente. Ele sentia que poderia explodir a qualquer instante, mas tentava se conter. Fez com que a calcinha deslizasse por suas pernas, deixando-a livre para para os carinhos dele. Ele estava adorando explorar-lhe o sexo com as mãos, sentia como se a possuísse inteira naquele instante.
Desceu mais e quis provar-lhe o meio das coxas com a boca. Ela gemia cada vez mais forte. Ele suspirava a cada passada de língua, sentindo o gosto quente que vinha de dentro dela.

A moça puxou o rapaz de volta para perto de sua boca e, sem dizer uma palavra, desabotoou a calça dele. Ele a observava, alucinado porém contido, imaginando que aquela seria uma forma doce de morrer.

Agarrou com força os cabelos da moça quando sentiu a pequena boca, macia e quente, totalmente em volta dele. "Ah, céus..." imaginava. "Eu não vou aguentar..."
Ela pressionava o sexo dele entre a língua e o céu da boca, provocando-lhe espasmos de corpo inteiro, fazendo com que mordesse a boca até sentir gosto de sangue. Nunca sentira uma boca tão intensamente...

Ela continuou, intensificando os movimentos mas mantendo a suavidade... Suas unhas ainda passeavam pelo corpo dele, estimulando-lhe os sentidos...

Enfim ele explodiu e encheu aquela boca divina...

O relógio despertou às 5:30h e ela percebeu que havia sonhado com ele... novamente...


quinta-feira, 19 de julho de 2007

lucidez...


Abri os olhos e notei que o mundo havia virado do avesso. O chão era o teto do quarto.
Estendi as mãos e a pele não estava cobrindo o meu corpo. Corri para o espelho e deparei-me com a face ensangüentada, sem lábios, sem pêlos.
Era uma imagem surrealista.
Seria eu ou meu alter ego?
A lucidez de minha confusão atingiu-me a cabeça como a pedra lançada ao pecador.

interesting...


"
If anything is more Eden-like that the lusted waters of melancholy,
than falling asleep in your arms, and waking up in a mere moment of raindrops.
My free will was, and is eaten alive.
like Apple Jacks on Sunday morning.
The heart knows only itself, no promise may hold it.
I shall live, as I deem fit.

This world is now to be dwarfed only by a forest of gentle touches and mutated ideals.

The blade lives, Raven is directed.
This world will suffer its fate.

Society revolves around humans, without humans there would be no system. No rules. No regulations. No emotions. Nothing.
Things aren’t what they seem and from my brief experience(s) I would say it is true.
We are dying as soon as we are born, oxygen is poisonous, what a way to start the day with poisonious asphixating fumes of tangible reality?
A rock to the head, A bullet to the heart, A blade to the neck.

The spells must be called."

This text ain't mine... but i like it very much...

segunda-feira, 16 de julho de 2007

little things...


O sol brilha quando a chuva parecia não querer ceder...
O mesmo corpo, o mesmo rosto, o mesmo cheiro e a mesma voz...
Onde eu me enquadro?
Naquele espaço... no meio daquele espaço que eu quero (com o verbo no presente do indicativo) para mim...


sábado, 14 de julho de 2007

conto erótico... ou romântico...

Outra noite insone.

Ela saiu do banho e vestiu uma camisa dele – ele adorava que ela vestisse suas camisas, achava sexy – e foi deitar-se. Apesar do cansaço, não conseguia dormir.

Levantou e foi buscar a garrafa de Chateau Mont Redon que havia aberto antes do banho. Levou a garrafa e uma taça para o atelier - um pequeno espaço que tinha nos fundos do casarão, onde fazia suas esculturas.

Acendeu a luz e olhou o último trabalho, ainda inacabado. Sorriu satisfeita, pois teria algo a fazer naquela noite insone. Sentou-se no banco de carvalho e colocou a garrafa a seus pés. Precisaria de espaço sobre a bancada.

Juntou os materiais e, inspirada, pôs-se a trabalhar. Havia retalhos de tecidos, poliestireno e vinil por toda parte. Estava realmente entretida.

Após uma hora de trabalho, a porta do atelier abriu-se e ele surgiu, sonolento, apertando os olhos, incomodado com a luz fria. Perguntou se ela não tinha sono e se havia comido algo. Ela sorriu e balançou a cabeça, dizendo que não. Ele sempre se preocupava com seu bem-estar e era extremamente cuidadoso com ela. No mesmo instante, virou-se e saiu do atelier. Retornou pouco depois com uma porção de carpaccio - sabia que ela adorava - e alcaparras que havia preparado naquela noite, antes que ela chegasse.

Mais uma vez ela sorriu. Parou o trabalho e provou o acepipe preparado por ele. Ele começou a perguntar sobre o seu dia e sentou-se num outro banco, também de carvalho, um pouco mais baixo que o dela. Ela começou a contar sobre as reuniões, os atrasos, os relatórios, e ele tomou seus pés e começou a massageá-los – fazia aquilo com imenso prazer.

Ela continuava falando, mas tornava-se mais suave por conta do carinho. As mãos começaram lentamente a subir, mantendo os movimentos firmes, passando pelos joelhos e alcançando as coxas. Ela estava sentada bem à vontade, apenas com a camisa dele. Não havia lingerie alguma por baixo. E ele sabia que ela não usava lingerie à noite.

A proximidade entre as mãos dele e seu sexo era perturbadora. Ele olhava para seu rosto e continuava com as carícias, avançando cada vez mais, vendo que ela fechava os olhos e abria mais as pernas, facilitando a passagem de suas mãos.

Logo percebeu o quão excitada ela estava: molhada e receptiva. Esqueceu o cansaço e o dia frustrante e entregou-se totalmente ao toque dele.

Cuidadosamente, subiu um pouco mais a camisa, podendo assim visualizar melhor o sexo dela. Usou o dois polegares para acariciá-la ali, suavemente, enquanto os outros dedos apoiavam-se e roçavam a virilha. Ela inclinou o tronco para trás, encostando numa velha cristaleira que havia naquele cômodo, onde guardava suas tintas e pincéis. Projetou o quadril na direção dele, abrindo mais as pernas, mordendo o lábio inferior. Os dedos deslizavam de forma gentil e cadenciada. Os finos pêlos de suas coxas estavam eriçados.

Avistou a taça de vinho ao pé do outro banco e, com uma das mãos, a apanhou. Ele não bebia, mas mesmo assim sorveu um pouco da bebida. Aproximou-se de seu sexo e lá depositou, aos poucos, o vinho que tinha na boca. Ela estremeceu e soltou um gemido tímido, passando as mãos pelos cabelos dele.

Naquele momento, a língua aliou-se aos dedos e também investiu contra o sexo da mulher. A boca morna e macia explorava cada centímetro da flor úmida que tinha entre as pernas, mordiscando e lambendo aqueles outros lábios dela, tão voluptuosos quanto os do rosto.

A intensidade daqueles beijos de língua e dedos que ele lhe proporcionava entre as coxas aumentava. Seus pés procuraram acariciá-lo em retribuição. Ele estava excitado, coberto apenas pelo fino tecido dos shorts do pijama. Com uma das mãos, sem que sua boca parasse de fazer-lhe a graça, puxou o short para o lado, mostrando o quanto desejava que ela avançasse nas carícias com seus pés macios e pequenos.

Logo ao primeiro toque, ele arrepiou-se e a penetrou com a língua, fazendo com que ela cravasse as unhas em seus ombros. Embrenhou os dedos nos cabelos dele e puxou sua cabeça de encontro ao seu corpo, para que aumentasse a intensidade de seu carinho. Já podia sentir o sexo em espasmos que eram o antegozo, apertando a língua macia, até, enfim, explodir em orgasmo naquela boca. E a língua não parava, estava faminto e sedento pela alma liquefeita que vinha de dentro dela, alucinado e com a respiração descompassada por causa do cheiro doce de sua mulher. Os pés... os pequenos pés ainda faziam-lhe a graça sublime de acariciar o membro que pulsava de desejo.

Quando sentiu que a carne quente parou de latejar em sua boca, afastou-se e levantou-se, pedindo apenas com o olhar para que ela também o fizesse. Acariciou-lhe os cabelos e com a mão em seu pescoço fez com que ela virasse de costas, ficando debruçada na bancada. Ainda em silêncio, penetrou o sexo ainda quente e crispado por trás, fazendo com que ela erguesse o tronco e gemesse mais alto. Ele arfava, aumentando o ritmo e a intensidade de suas investidas. As coxas dela queimavam e, encharcadas, eram cada vez mais convidativas e facilitavam ainda mais a penetração.

Num movimento arrebatado, apertou com toda a força as nádegas alvas de sua mulher, inclinando-se sobre ela e mordendo-lhe a nuca... Com a outra mão, apertou-lhe os seios e gemeu forte, deixando jorrar o leite morno dentro dela: a cada pulsação de seu sexo, despejava nela um pouco de sua alma. Eram cúmplices. Amantes. O resto do mundo não existia dentro daquele cômodo.

Permaneceram assim por alguns instantes, até que seus corações voltassem a bater no ritmo normal e que pudessem ter as pernas menos trêmulas. Apagaram a luz do atelier e foram juntos tomar banho, entre beijos, carinhos e palavras doces.

Ela, enfim, conseguiu dormir.



smile...


Yes... yes, girl! Smile! Come on! You can do it... Yes! A bit more... It doesn't hurt! Smile... yes... you're good on the way... Smile... Yes... I can see it! It's coming! A biiiiiiiiiig smile! Yes, yes, yes!!!!!! She did it! She smiled!

And she kept a curl of her hair to give to that special one... to THE ONE...
...
(she's sure he'll love to keep it...)


outra citação...


"Com você por perto, Eu gostava mais de mim."

sonhos...

Acordei, escrevi, voltei a dormir, sonhei. Estava tudo lá: gosto, cheiro, voz, mãos, boca. Na verdade, não estava tudo lá: está tudo aqui dentro... o cômodo permanece intacto.

refrão de um bolero...


Ouvi um bolero e agora as palavras não saem da cabeça...

"...
Dicen que la Distancia es el Olvido

Supiste esclarecer mis pensamientos
Me diste la verdad que yo sone
Ahugentaste de mi los sufrimientos
En la primera noche que te ame..."


Nunca havia notado a música, mas algo me chamou atenção para ela hoje... Agora, às 4 da manhã, vejo que acordei pensando... e pensando... querendo fugir num barco ou avião ou tapete voador pra longe... bem longe... longe o suficiente para não haver alma alguma por perto... ou longe o suficiente para estar mais perto da mão que gostaria que me afagasse os cabelos esta noite...


sexta-feira, 13 de julho de 2007

"salva me ab ore dragonis"...

À medida que mergulhava lentamente no pântano e banhava seu corpo na lama, sentia que algo doía dentro dela. Era uma dor aguda. Algo mudava... Percebeu que a transformação que começou quando se jogou da torre ainda não estava completa. Temeu transformar-se em algo frio e inanimado, mas sentia a garganta queimar... Ardia como fogo...
Sem olhar para trás, sentia que o demônio a fitava curioso e satisfeito. Cada movimento do corpo nu de Nina causava uma onda de excitação dentro da besta. Quando metade de seu corpo encontrava-se imerso, virou lentamente na direção do animal que a espreitava e sorriu. Ele a contemplava extasiado, porém mudo. Nina fechou os olhos e bailou na lama, qual serpente, como se aquilo lhe fosse de alguma forma familiar.
Sua garganta queimava cada vez mais... Saiu lentamente da lama, suja, de olhos fechados, caminhando na direção do demônio. Ao aproximar-se, a mão fria segurou-lhe o rosto, fazendo com que ela abrisse a boca. Havia ali uma língua de fogo. Os olhos de Nina abriram-se - eles tinham uma cor diferente - espantados, ansiosos por uma resposta.
- É o demônio dentro de ti. É hora de aceitar teu destino. Os fracos morrerão pelo fogo da tua garganta, pequena Nina. Não há mais volta.
Nina sentiu uma lágrima queimar-lhe o rosto. Não, não podia aceitar aquele destino. Precisava lutar contra o dragão que surgia dentro dela.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

sinner...

"A alegria do pecado
Às vezes toma conta de mim
E é tão bom não ser divina
Me cobrir de humanidade me fascina
E me aproxima do céu


E eu gosto
De estar na terra
Cada vez mais
Minha boca se abre e espera
O direito ainda que profano
Do mundo ser sempre mais humano


Perfeição demais
Me agita os instintos
Quem se diz muito perfeito
Na certa encontrou um jeito insosso
Pra não ser de carne e osso
Pra não ser carne e osso"

quarta-feira, 11 de julho de 2007

reticências...

O silêncio e as reticências às vezes revelam mais do que as palavras...
É simplesmente aterrador perceber que a omissão que sempre veio desse tipo de comportamento pode tornar-se uma grande decepção. É decepcionante e chega a ser tragicômico perceber o erro depois de 132 dias... Eu perdi 132 dias. Mas acabo de ganhar o resto da minha vida. Acabo de colocar uma pedra sobre todas as coisas que me fizeram chorar...
Não gosto de chorar... Por isso sou a rocha: vidraças quebram...

Já postei essa música em outro blog uma vez, mas como minha vida está passando por mudanças tão intensas e tomei decisões que não serão mais desfeitas, segue, novamente, a música do dia:

Me cansei de lero-lero
Dá licença mas eu vou sair do sério
Quero mais saúde
Me cansei de escutar opiniões
De como ter um mundo melhor
Mas ninguém sai de cima
Nesse chove-não-molha
Eu sei que agora
Eu vou é cuidar mais de mim!

Como vai, tudo bem
Apesar, contudo, todavia, mas, porém
As águas vão rolar
Não vou chorar
Se por acaso morrer do coração
É sinal que amei demais
Mas enquanto estou viva
Cheia de graça
Talvez ainda faça
Um monte de gente feliz!
[Saúde, RITA LEE]

mais um pouco de Clarice...

"Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros."

[Clarice Lispector]

de volta à floresta...

Nina fechou os olhos e chorou em silêncio...
O demônio tocou seus cachos e, pela primeira vez em sua fria existência, sorriu. Pôde sentir o calor que vinha de Nina. A idéia era fazer florescer nela toda a raiva, o medo, a dor que um ser humano poderia sentir. Tais sentimentos alimentariam o demônio e fariam de Nina a companheira ideal, porém sabia que o mais difícil seria roubar-lhe definitivamente a alma.
Para surpresa do demônio, Nina despiu-se e caminhou em direção ao pântano que havia logo adiante. Mergulhou lentamente na água lamacenta, sem olhar para trás. Queria saber como seria sentir-se imunda.
Ele a observava, intrigado e excitado, tentando ler seus pensamentos. Havia algo naquela mulher que atordoava seus sentidos. Precisava ser cauteloso para que ela não o tirasse o posto de algoz para torná-lo vítima de seus encantos...

tudo...

A negação de "tudo" é "algo"...
Tudo me move; algo me faz parar...
Tudo me excita; algo me desanima...
Tudo me revela; algo me faz esconder...

Eu tenho tudo, mas ainda quero algo...
Algo que faça realmente a diferença... que me tire o fôlego, que me cale, que me feche os olhos...
Quero algo que me transforme e me acalme... Algo que contenha meu coração aos pulos, minhas manias irritantes, minha ansiedade...

No fim de tudo, a contradição: vejo que não quero a negação... quero o oposto... NADA: não quero ficar sem fôlego, calar, fechar os olhos... não quero meu coração quieto ou perder minhas manias e minhas ansiedades... Prefiro ser a menina inquieta e impulsiva a viver momentos previsíveis...
Sou feliz assim.

combustão...

Não aprendo. Continuo queimando. Difícil apagar totalmente o incêndio que me consome por dentro. Às vezes a fumaça sufoca e desejo que tudo acabe. Mas sempre resta alguma pequena fagulha, um pequeno foco, e quando o vento sopra acaba fazendo o fogo espalhar-se novamente.
Isso há de me queimar a vida inteira.
Percebo que quero viver assim. Não temo as cinzas: me refaço delas.

borboletas...

"...O segredo é não correr atrás das borboletas... é cuidar do jardim para que elas venham até você."

[Mário Quintana]

terça-feira, 10 de julho de 2007

peek-a-boo...i see you...

A murderer always likes to play hide and seek...

o primeiro dia...

... do resto de minha vida.
E não é um resto pejorativo, muito pelo contrário: é um recomeço, um renascimento.
Mal posso esperar para abandonar o cômodo vazio e as paredes tristes que estão ao meu redor nessa torre fria.
A única coisa que me assusta é que partirei com a certeza de que ninguém segurará minha mão e nem pedirá para que eu fique. O príncipe deve ter morrido ou se mudado para outro reino, talvez ainda mais distante. Eu não o vejo mais pela janela da torre passando em seu cavalo branco...

Ah, esqueci... o príncipe em seu cavalo branco era um ogro montado num burro... Sempre fui uma princesa às avessas. Sempre preferi ogros... Os príncipes são perfeitos demais... delicados demais... monótonos demais...

segunda-feira, 9 de julho de 2007

plágio...

Quote

"
29 de junho

Frase do dia

Morda meus lábios e feche meus olhos. Me leve ao paraíso..."

Oh, yes...

dr. jekyll & mr. hyde...


"Dex". Ele usava o mesmo nome do personagem. Isso era uma pista sobre quem realmente ele era.
Possuía um instinto assassino peculiar: ao invés de escolher vítimas inocentes e indefesas, exercitava seu dom em suspeitos e acusados de homicídios e outros crimes hediondos. Mutilava seus corpos com o mesmo prazer de uma criança que ganha um novo brinquedo ou com a tranqüilidade de um experiente cirurgião em meio a sua milésima cirurgia. Fora isso, era um ótimo escritor, um sujeito atencioso, até mesmo carinhoso, acima de qualquer suspeita.
Ele fingia não saber da admiração dela. Preferia evitá-la para não fazê-la sofrer, ou para que ele mesmo se poupasse de qualquer sofrimento.
Ela, aos poucos, via o que se passava e começava a entender cada vez mais o que havia por trás do olhar tímido e do andar sem jeito de Dex. Ela o observava em silêncio. Discretamente acompanhava seus passos e media suas reações. Ela sabia que ele não havia adotado aquele nome à toa... Mesmo assim, cada vez mais sentia-se atraída por ele...

sábado, 7 de julho de 2007

the dark side of the forest...

Nina tentou gritar mas a voz faltou. As pernas não obedeciam: queria correr mas não saía do lugar.
O enorme salgueiro pronunciou palavras numa língua estranha e uma criatura bizarra surgiu ao seu lado. Sentiu a garra em seu braço, fazendo com que finalmente penetrasse o lado negro da floresta.
Caminharam entre árvores negras e folhas secas. À medida que entravam, mais frio e escuro tornava-se o lugar.
Alcançaram um imenso pátio onde havia outras criaturas iguais àquela e ainda outras diferentes, porém tão bizarras quanto. No meio do pátio havia um grande círculo desenhado no chão, contendo em seu interior símbolos que Nina desconhecia. Alguns daqueles seres sinistros seguravam cabeças de animais sacrificados e tinham as garras sujas de sangue, provavelmente o mesmo sangue que fora utilizado para marcar o símbolo no chão.
Nina foi conduzida ao centro do pátio e tornou a ouvir o som estridente que ouvira anteriormente perto do salgueiro. Todas as criaturas retiraram-se rapidamente, deixando Nina sozinha e apavorada. Pensou em correr, mas não sabia para qual lado seguir. Fechou os olhos e pensou no vento: "Poderia o vento ouvir-me aqui, nesse lugar tão escuro e frio?"
Seus pensamentos foram interrompidos por uma imagem aterradora: um demônio estava fitando-a tão de perto que era possível sentir a respiração da besta.
"Vento, meu querido e amado vento... tire-me daqui... Preciso que me guie de volta ao seu encontro...", pensou Nina.
- Tarde demais, doce Nina. Agora tomei-te para mim. Tua tristeza te empurrou da janela daquela torre. Mas tua curiosidade te conduziu até o escuro... Vieste com teus próprios pés. Tomarei teu corpo, tua raiva e teu medo...
- Mas nunca tomará minha alma! - interrompeu Nina.
- Veremos, pequena Nina. Isso é o que veremos...


parênteses...

Eu devia parar de ler certas coisas...
Com certeza isso me privaria de certos pensamentos e de outros sentimentos que não gosto de ter...
Por que diabos continuo fazendo isso? Sempre acabo vendo coisas que não gosto...
Estupidez nata, talvez...

"Ciúme sm. Sentimento doloroso causado pelas exigências dum amor inquieto, pelo desejo de possuir a pessoa amada, pela suspeita de infidelidade; zelos."

Bom, voltando ao que interessa: passarei dois ou três dias fora; tentarei deixar algo interessante para aqueles que vêm aqui buscar um pouco de entretenimento - já que de interessante a minha vida pessoal não tem nada, vou parar com minhas longas lamúrias ao estilo "meu querido diário" e tentar voltar ao mundo lúdico de sonhos. Nesses, ninguém pode tocar...

sexta-feira, 6 de julho de 2007

sweet Nina...

A pequena Nina estava prestes a conhecer o lado negro da floresta, onde nem mesmo o vento ousava soprar...

quinta-feira, 5 de julho de 2007

impressionante...


O tempo passa e as coisas permanecem intactas...

enough...

Cansei de não ser suficiente para os outros. O que diabos, afinal, as pessoas esperam de mim? Que eu seja perfeita? Perda de tempo.
Sou imperfeita, irresponsável, inconseqüente... E daí? Nessas horas eu caio em contradição com o que disse anteriormente sobre ficar / ser sozinho: quando essas coisas acontecem vejo que talvez haja sentido em ficar só... Não quero mais colo de mãe, pai, etc... Não haveria ninguém pra me rotular, ninguém pra me cobrar, ninguém pra dizer que eu poderia ser melhor. Sou o que sou, porra! Eu preciso ser suficiente para mim, preciso me bastar! Se ficar esperando fazer falta ou ser reconhecida por alguém, estou ferrada. Literalmente ferrada. Por que as pessoas não podem gostar de mim assim? Isso me dá medo, porque começo a pensar que talvez eu seja muito estranha ou muito difícil... Será que isso é unanimidade?
Outro dia ouvi alguém falar sobre a gratuidade do amor... Deve-se amar incondicionalmente, mas acredito que as pessoas ainda não saibam o que significa "incondicionalmente". EU amo incondicionalmente, gratuitamente, e vejo os defeitos como peculiaridades. Se alguém vê meus defeitos acima das minhas qualidades, é porque não sabe amar. Quer amar uma criatura inanimada. Eu não sou um ser inanimado, eu tenho sentimentos! Cansei de um monte de coisas. Cansei.

Sinto-me desamparada, carente de proteção... assim como Clarice... Esse grito mudo que sai de mim não se faz ouvir... ele apenas vibra e retorna em silêncio.

Como diria Manuel Bandeira:
"Vou-me embora pra Pasárgada..."

quarta-feira, 4 de julho de 2007

mudanças...


Estou dando adeus às minhas madeixas... ficaram longas demais e por muito tempo. Levando em consideração que estou sempre mudando, chegou a hora. Não há mais o que esperar.
Sempre fui uma princesa diferente daquelas das histórias encantadas. Elas eram chorosas demais, chatas demais, melancólicas demais. Sei que sou melancólica às vezes, mas mesmo assim minha melancolia não é tão chata quanto a melancolia da Cinderela, por exemplo.
Cabelo cresce. Coração nasce de novo.
(só eu sei pq disse isso...)

monólogos...


Cansei dos monólogos. Perfiro os diálogos. Estes têm mais ação, mais envolvimento, mais calor.
Costumo comparar monólogos com masturbação e diálogos com sexo (com pelo menos um parceiro - bom, isso depende do gosto de cada um). A masturbação é apenas um paliativo para a satisfação de uma necessidade, assim como o monólogo. Às vezes precisamos falar, cuspir ou vomitar sílabas, exercitar a língua, trocar idéias, mas o outro lado não quer ouvir ou recusa-se a responder. Aí, falamos sozinhos. Que graça há nisso? Na hora até alivia, mas permanece a necessidade de uma resposta, de ouvir uma voz diferente. Na masturbação acontece a mesma coisa: até conseguimos gozar, mas orgasmo, ORGASMO mesmo, muito difícil. Não é a mesma coisa. Quem disser que sim, é um grande mentiroso. O calor do outro corpo, o cheiro da outra pele, o gosto da outra saliva, o toque, a textura, tudo é diferente. A troca é muito melhor.
Começo a pensar que há uma série de coisas que não têm graça fazer sozinho: jogar damas, pega-varetas, canastra (Mr. D me ensinou o nome do jogo! Thanks, D!), raspar panela de brigadeiro, contar piadas etc...
Conclusão? Não dá pra viver sozinho...
Eu não quero viver sozinha.

terça-feira, 3 de julho de 2007

por que escrevo?

Clarice (a Lispector) tirou as palavras da ponta de minha língua - ou das pontas de meus dedos:

"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro..."

"Minha liberdade é escrever. A palavra é o meu domínio sobre o mundo."

"Eu só escrevo quando eu quero, eu sou uma amadora e faço questão de continuar a ser amadora. Profissional é aquele que tem uma obrigação consigo mesmo de escrever, ou então em relação ao outro. Agora, eu faço questão de não ser profissional, para manter minha liberdade".

"Escrevo porque encontro nisso um prazer que não consigo traduzir. Não sou pretensiosa. Escrevo para mim, para que eu sinta a minha alma falando e cantando, às vezes chorando..."

"É preciso coragem. Uma coragem danada. Muita coragem é o que eu preciso. Sinto-me tão desamparada, preciso tanto de proteção...porque parece que sou portadora de uma coisa muito pesada. Sei lá porque escrevo! Que fatalidade é esta?"

Perfeito... é por esses (e outros) motivos que eu também escrevo.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

no escuro...

O imponente salgueiro era amedrontador. Nina sentiu-se como uma criança e lembrou-se de Helena. "Não. Não posso. Deixei o medo para trás quando saltei daquela torre."
Nina mediu o salgueiro com os olhos e resolveu aproximar-se, ver o que havia atrás da imensa árvore. A passagem era estreita e Nina precisaria ser cuidadosa para que suas vestes não fossem rasgadas pelas lascas do tronco.
Tão logo começou a aventurar-se entre a parede úmida e fria e o salgueiro, os galhos agitaram-se e um som estridente espalhou-se por todo o lugar... Sua respiração ficou suspensa e ela, imóvel.
Algo aterrador ocorreu: o tronco do salgueiro retorceu-se e a velha árvore virou-se para Nina, dizendo em tom grave e perturbador:
- Sabia que viria, pequena Nina. Enfim atendeu o chamado.

again...


"...Where do you go, my lovely, when dreams elude?"

Junto com a insônia vem sempre um ou mais pensamentos que facilmente transformam-se em desejos...


domingo, 1 de julho de 2007

she kept walking...

Nina continuou caminhando... Sentia fome. Apesar da beleza daquele lugar - as árvores eram maiores do que se podia imaginar - não havia encontrado vida humana. Ouvia as vozes, sentia sempre a presença do vento - agora seu amante - mas não havia ainda encontrado um semelhante.
Caminhou até a exaustão. As folhas, antes verdes e úmidas, tornavam-se amarelas e secas... A luz do sol já não era tão intensa. Parecia estar entrando em outro lugar. Começava a sentir frio. Começava a escurecer.
Nina parou diante de um enorme salgueiro. Sentiu medo... naquele instante não sentia mais o vento.
Estava novamente sozinha.


sobre Isabeau...

Isabeau era uma alma perturbada, condenada a vagar por esse mundo e ter desejos materiais e mundanos que não lhe cabiam mais, pois estava morta. Era pérfida, devassa, amoral. Lembro-me de seus comentários sórdidos a respeito de tudo. Lembro-me de sua expressão de desgosto misto de raiva, decepção e amor-próprio ferido. Com Isabeau desenvolvi meu humor ácido.

Isabeau sofreu em vida até abandoná-la - sim, ela própria decidiu deixar de viver.

Como conheci Isabeau? Isso é uma outra longa história...

saudades...


"...mais je vous admire beaucoup. "
Foi algo mais ou menos assim...

Havia ali uma cumplicidade de conhecidos de longa data... O que, de certa forma, não deixava de ser verdade.
A questão é justamente mudar o tempo referido de passado para futuro - ao invés da referência "de longa data", passar para a referência desejosa "para a vida inteira".
Mas quem pode falar de futuro? Podemos falar de desejos... e aí encaixa-se novamente o tal "Princípio 90/10". Um exemplo:
Se eu disser que amo alguém e esta pessoa não demonstrar uma reação que eu gostaria que tivesse, eu posso simplesmente deixar de lado, sofrer e continuar seguindo sem olhar para trás... ou posso continuar dizendo isso sempre, todos os dias, até que ele me abrace e me faça entender que aquela é a forma de demonstrar que também me ama, mesmo utilizando recursos diferentes...
Eu acredito na segunda opção. Eu acredito na felicidade implícita nas atitudes diferentes das minhas. Começo a pensar que a intensidade talvez também esteja em poucas palavras e pequenos gestos.


os primeiros dias...


Os primeiros dias são como sonhos... Tudo é lindo e perfeito...
No segundo dia ele pediu para que ela escolhesse entre uma visita e uma serenata de trompete. Pediu para que tirasse os óculos para que pudesse ver seus olhos, porque gostava muito de seu olhar. E disse que seria perigoso estar muito perto dela, pois poderia abraçá-la tão forte a ponto de não largá-la mais.
Talvez ele devesse saber que isso sempre foi o que ela mais queria... e ainda quer.
Depois do terceiro encontro, ele falava sobre intensidade, sobre o tempo, falava sobre como não havia como medir as coisas boas... e falava sobre os desejos - o cabelo, a boca, as mãos, o rosto, o modo de falar, a língua... Falava sobre como era uma loucura as coisas acontecendo daquela forma.
Ela adorava quando ele a chamava de "menina".
Será que ela conseguirá algum dia vê-lo tocar trompete?

moody...

Detesto meias palavras. Detesto meias idéias. Detesto a palavra "detestar".
Sempre fui uma criatura "verborrágica". Enquanto eu não conseguir praticar minha verborragia, não ficarei feliz ou mais leve.
Eu quero tudo. Sempre quis tudo. Nunca me contentei com frações; sou adepta dos inteiros.
Ainda há os que dizem que eu quero, penso e falo demais.
Tudo depende do ponto de vista... ou do valor que as coisas têm para cada pessoa. O que é pouco para mim, pode ser suficiente para alguém.
Isso não é um exemplo da minha verborragia. Ela ainda precisa veementemente ser colocada em prática.


o jardim secreto...


Insônia novamente. Isso não é legal. Acabo de acordar sem grandes pretensões de voltar a dormir novamente. Isso não é nada legal. Essa é a pior hora do dia, pq não há nada a fazer a não ser ler, escrever e pensar.
Conversando com Mr. D - meu escritor paulista favorito, atual analista e grande incentivador - percebi que nada do que desejo é impossível ou absurdo. Desistir seria o mesmo que abdicar das possibilidades. Hoje é dia 28. Estou tentando me sentir querida há exatos 4 meses ou aproximadamente 120 dias. Nesse período Ritinha "encabeçou o placar de tentativas numa vantagem absurda sobre o seu oponente".
Ser lembrada dentro do trem é algo inusitado. Tão inusitado quanto ganhar um pêssego. Esses tipos de eventos trazem à tona certos questionamentos. Para essas questões, tenho respostas como "Sim, certamente.", "Não, já basta." e "Será...?". E para todas as questões onde obtive "Será...?" como resposta, automaticamente surgiu um sorriso. "E isso é bom?", perguntaria alguém. "Deve ser.", eu responderia.
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Em meio a flores e ao sol que brilhava no jardim secreto, a Fada Lilás caminhava despreocupada. O Elfo olhava seu reflexo no espelho do lago azul. Ela aproximou-se por trás e tapou-lhe os olhos com as mãos, perguntando se ele sabia quem era. Ele riu e fez-se de bobo, citando todos os animais e até mesmo as árvores que haviam ali. Ela gargalhava a cada tentativa dele, mesmo sabendo que era apenas para fazê-la sorrir.
Num rápido movimento e com a destreza que só os elfos têm, ele desvencilhou-se das mãos da fada e a pegou no colo. Calaram-se. Os olhos diziam palavras infinitas e naquele momento Maeve - era esse o nome da fada - sentiu que havia feito nascer outro coração no peito do Elfo...
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5:11h. Agora eu acho que posso voltar a dormir. É apenas assim - escrevendo - que consigo ter sonhos bons. Meus sonhos bons são totalmente lúcidos. Isso também é algo bem inusitado.


elves and fantastic creatures...


An elf came into the Lilac Fairy's secret garden... He found out she was sick, very sick.
Her little lilac wings didn't shine anymore... she was turning into a grey fairy... She was sad and hurt.
He didn't make any sound... he just didn't want her to notice he was there, watching her...
- Can i help you, elf?
- I'm sorry, i didn't mean to bother you.
- I know. You are not bothering me. Come closer.
He was wondering how come she knew he was there. Before he could open his mouth again, she said:
- I just knew it. It's a gift.
The elf got down on his knees and held her hand.
- What's wrong? Can i help you?
- I don't know...
- I'd help you if i could, but i'm afraid to hurt you even more. I could not handle that again.
- What?
- I killed a fairy once... I didn't take her life, but she's no longer a fairy...
The Lilac Fairy stared at him for a couple of minutes. He was hurt too. He was his own tormentor and also his own victim.
- No... just don't... - said the Lilac fairy.
- What do you mean?
- Don't cry anymore, elf. I know you saw me crying... But i believe your pain is bigger than mine. I'm a fairy, i'm like a Phoenix, i can always start over again. I will always be a fairy. My wings will shine again. My eyes will sparkle like stars. My tears will turn into nice flowers when they reach the ground. Don't worry, elf... Everything will be fine. But you need to leave the pain behind. You are the reason why the sun shines so bright... Have you noticed that the days have been grey lately?
- Yes, i don't know what happened to the sun...
- The sun is hiding... He's been hiding since you stopped smiling...
- Really?
- Yes...
Suddenly, the fairy touched the elf's face and he looked into her nice hazel eyes. She got down on her knees too and softly kissed his lips.
Just like a sleight-of-hand trick, her wings started to get back the beautiful lilac color again... Just like she said, the tears she dropped became flowers... The elf smiled... and the sun started shining bright...
They lived happily together ever after...


conto (parte I)...


Mais uma vez, nossa protagonista espera demais, deseja demais, olha pela janela da torre buscando algo... e resolve pular. Das outras vezes hesitou e recuou. Desta vez, a pequena Helena sentou-se no parapeito e olhou para baixo. Colocou as pernas para o lado de fora e sentiu que a descida seria longa... "O que havia lá embaixo?", pensou Helena. Fechou os olhos e lembrou da lua, lembrou da história da princesa Letícia que adoeceu porque queria a lua. Nem o Feiticeiro Real, nem o Matemático Real, nem o próprio rei, nenhum deles pôde dar a Letícia o que ela tanto desejava. Mas o bobo-da-côrte solucionou o problema. Isso fazia Helena pensar que as soluções dos grandes problemas estão nas coisas mais simples, bem diante dos olhos. Quase sempre.
Ainda de olhos fechados, pulou. Sentia o ar contra o corpo em queda livre... Pensou que fosse morrer... Viu toda a sua vida diante de seus olhos... Nada parecia ter a intensidade que imaginou que tivesse antes. Helena chegou ao fundo.
A relva era macia e cheirava bem. Helena pensou que tivesse morrido. Talvez aquele fosse o paraíso. Ou talvez, o inferno. Mil braços estenderam-se em sua direção, como um enorme polvo agitando incessantemente seus tentáculos. E nossa pequena deixou-se tocar por todos eles, corpo e sentidos entorpecidos pela queda, pela morte, ou pela vida - talvez agora Helena começasse a viver. A cada toque, uma golfada de sangue...
Helena precisou morrer... para começar a viver.

o nascimento de Nina...

"Nina... Nina..." - Helena abriu os olhos e a claridade a cegou por alguns instantes... Aos poucos percebeu que estava novamente só. Mas... de onde vinha a voz? "Nina..." Novamente ouviu aquele nome sussurrado por entre as folhas das árvores, e sentiu que seu corpo estava dormente, como sob efeito de algum entorpecente...
Levantou-se e olhou ao redor. Não havia alma alguma por perto. Os galhos bailavam ao vento uivante e morno daquela tarde. Seria realmente tarde? Não sabia há quanto tempo estava ali, nem onde estava, mas a sensação era algo diferente. Estaria morta?
Caminhou em direção à claridade que estava a sua frente, vagarosamente, tentando reconhecer o lugar. Os pés estavam úmidos e frios. O som do vento fez com que desejasse deitar novamente, sentia como se alguém tocasse seu corpo e chamasse seu nome, mas sabia que não era Nina... como poderia o vento seduzí-la sussurrando um outro nome?
Rendeu-se às carícias da brisa morna e espalhou-se na relva, fazendo-se amante do vento. Seus cabelos emaranhavam-se entre flores e folhas espalhadas pelo solo, as vestes levantadas até a altura dos quadris, revelando as coxas alvas e os pêlos eriçados. Seus olhos cerraram-se e seu colo saltava; suas mãos arrancavam punhados de terra daquele chão e sua boca entreaberta soltava gemidos e palavras que ela nem mesmo sabia o que significavam... Seu ventre foi tomado pelo vento, que com toda sua suavidade, preencheu o vazio que Helena sentia na alma. Uma rajada forte balançou violentamente os galhos das árvores e um grito fez-se ouvir por todo o lugar. E novamente o silêncio e a calmaria foram instaurados.
Helena abriu os olhos; sorriu. Passou as mãos pelos cabelos e murmurou: "Nina... Meu nome é Nina."
E assim nasceu Nina, a amante do vento...


16 de junho - até quando?

"Até quando terás, minha alma, esta doçura,
este dom de sofrer, este poder de amar,
a força de estar sempre – insegura – segura
como a flecha que segue a trajetória obscura,
fiel ao seu movimento, exata em seu lugar...?"
[Cecília Meireles]


16 de junho - português afrodisíaco...


Falo da língua portuguesa, seus pervertidos! E depois eu que sou a libertina...
Concordo com Drummond quando ele diz que "... a língua é falo, e verbo a vulva...". Mas preciso fazer um adendo: se a língua é falo, o ouvido deveria ser vulva, pois é o receptor (de palavras, PALAVRAS!!! mentes pervertidas...). Existe algo mais erótico do que uma frase bem escrita? Palavras são afrodisíacas, mas dependendo da situação podem ser broxantes.
Todo mundo comete gafes na escrita, é normal. Eu cometo gafes. Não há nada de absurdo nisso. Mas há os erros imperdoáveis, aqueles erros que deveriam arrastar indivíduos para a guilhotina... Céus, quem dá aulas de português nesta terra?
Exemplifiquemos:
- A triste mania que as pessoas têm de confundir os pronomes oblíquos átonos com os tônicos: ao invés de escreverem "gostaria de te falar algo", mandam a pérola "gostaria de TI falar algo"... ai... Isso doeu... Outro exemplo que vi num desses scrapbooks da vida: "Vem mim dá um beijo???" Aiiiiiiiiiii!!!!!! Esse foi mais grave, porque além de trocar os pronomes, não soube usar o verbo no infinitivo...
- E por falar em verbos no infinitivo, isso é o que mais me assombra. Por que raios as criaturas não colocam o bendito R no final, meu Deus? É preguiça ou é erro mesmo? "Vem fala", "eu quero come", "vamos viaja"... Que isso? Eles não tiveram mesmo aulas com a Alice... E não venham dizer (com R no final) que são vícios de internet, porque esses não são!
Poderia listar mais um monte de coisinhas, mas isso me tornaria mais chata do que já sou. E claro, provavelmente algum letrado na nossa língua pode encontrar erros nesse meu texto, mas garanto que seriam erros até perdoáveis, eu pegaria no máximo dois dias de detenção.
Acabei de fazer um teste que meu amigo Theo me enviou. Fiquei inspiradíssima!
E saber que sou a escritora carioca favorita do meu escritor paulista favorito também me inspira.. e muito!
Até!


15 de junho - alguma coisa acontece...

Fui dormir contrariada - isso não é novidade - apesar de não querer admitir.
Por um momento eu realmente tive um desejo diferente: o de ouvir como é formado o petróleo nas rochas reservatórias - histórias de bruxas ficaram obsoletas, eu sei - e receber massagem e cafuné ao mesmo tempo.
I'm becoming a very insane creature. I shouldn't get out of my cave anymore - weird habits, weird thoughts, weird wishes... weird dreams...


13 de junho - quente, morno, frio...

Sentimentos e relações mornas nunca fizeram a diferença.
O que é quente excita, move, faz viver... gera vida, energia. Cria um novo mundo.
O que é morno é mera sobrevivência.
O que é frio é memória póstuma.


12 de junho - verdade verdadeira...

A verdade verdadeira é como o purê puramente puro de batatas da mãe da minha amiga Angélica: é aquilo ali e pronto. É indiscutível.
Há uns meses (um ano, talvez) li uma crônica do Jabor que falava sobre o medo de "namorar". Hoje em dia vale dizer qualquer coisa, menos que está namorando. Você pode sair com a mesma pessoa há meses, andar de mãos dadas, ficar com cara de bobo, até dizer que ama (em certos casos, claro) mas dizer que está namorando... NUNCA!
Antigamente o pavor era acerca da palavra casamento. Era só falar em casamento que já dava urticária. Hoje em dia o problema é o tal do namoro.
Chego à seguinte conclusão: talvez o homem primitivo fosse mais evoluído do que o contemporâneo. Ao que me parece, no meu humilde ponto de vista muitas vezes ignorante, é que ao menos o homem primitivo conseguia viver melhor em sociedade.
Estou errada?

05 de junho - by leaps and bounds...

Pensei que fosse feita de chuva, quindim e cachinhos.
Descobri que sou feita de vigas, massa e pedras.
Aos poucos estou construindo meu lugar à medida em que me reconstruo.


05 de junho - eco...

Eco

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

"Para ocorrer o eco é necessário existir um obstáculo que esteja a mais do que 17 metros de distância da pessoa que emite o som; o obstáculo tem que ser feito de um material polido e denso que não absorva o som, por exemplo, metais, rochas, betão."

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Parei no topo daquela montanha... olhei para baixo... não havia nada além de outras imensas pedras ao meu redor. Senti-me pequena naquele momento. O silêncio era cortante e o vento frio fazia meus lábios racharem. Senti vontade de pular e descobrir o que havia lá no fundo. "Não... isso vai doer", pensei. Havia algo dentro de mim que precisava ser dito... Mas falar pra quem? Falar pra quê?

Gritei. Gritei o mais alto que pude. Mas o único som que obtive em resposta foi o meu eco... o som da minha própria voz reverberando...