EGO

"Eu não sou promíscua. Mas sou caleidoscópica: fascinam-me as minhas mutações faiscantes
que aqui caleidoscopicamente registro."

(Clarice Lispector)

domingo, 30 de setembro de 2007

back to hell...


O fogo que queimava a garganta começou a tomar-lhe todo o corpo. Nina tentava correr contra o tempo. Estava cada vez mais distante daquela que saltara da torre.

Os dias passados no inferno transformavam a pequena Nina, gradativamente, num monstro. O dragão surgia dentro dela, mas a sensação era a de que ele sempre existira e estava latente. Começava a pensar que talvez aquele fosse realmente seu verdadeiro lar.

Nina sentia que o demônio a observava. Seu peito doía. O coração (ou o que restou dele) estava sendo devorado aos poucos...



segunda-feira, 24 de setembro de 2007

sábado, 22 de setembro de 2007

saudosismo...


Marie chegou a um determinado ponto em que percebeu que continuava andando, mas as caminhadas - apesar de solitárias e silenciosas - traziam lembranças de sorrisos que não sabia mais reproduzir. Momentos que não voltariam e insistiam em marcar presença naquele canto escuro da saudade.
Marie chegou à ponte e olhou seu reflexo na água. Teve dúvidas. Perguntou-se se seu nome seria mesmo Marie, se seus olhos eram mesmo castanhos e se seus cabelos tinham mesmo aquele tom acobreado. Será que todos a viam da mesma forma? Ou será que havia mais de uma Marie aos olhos do mundo?
Marie sentiu saudades da época em que suas pernas enroscavam-se com as do desconhecido de longa data - conheciam-se há tanto tempo e nunca haviam trocado palavras ou acenos de cabeça. Mas quando falaram-se, o tempo correu de modo avassalador no sentido anti-horário. O sangue pulsou desordenadamente.
Um dia ele partiu. A hemofilia sentimental de Marie veio à tona. Não havia como estancar o sangramento.
Marie sabia que morreria. Seria apenas uma questão de tempo... e paciência.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

my little sunflower...

Havia uma inquietação naquela madrugada quase primaveril. O tempo parecia acelerado como se a primavera quisesse antecipar sua chegada.
O vento sussurrava sua canção antes que os primeiros raios de sol surgissem. Algo acontecia dentro e fora de mim.
Então veio a dor. E com a dor, a torrente morna que antecede o surgimento da vida.

Eu floresci. Minha primavera chegou antes do previsto. Nasceu meu pequeno girassol.

(dedicado à Júlia - 21/09/1997 - meu "pequeno girassol")

resposta...


paixão sf. 1. Sentimento ou emoção levados a um alto grau de intensidade. 2. Amor ardente. 3. Entusiasmo muito vivo. 4. Atividade, hábito ou vício dominador. 5. Objeto da paixão (2 a 4). 6. Desgosto, sofrimento.

Tudo isso segundo o Aurélio... porque eu ainda não consegui definir esse bicho estranho...

terça-feira, 18 de setembro de 2007

pergunta...


Alguém poderia, por favor, definir a tal da paixão?!

15 minutos...


Quinze minutos. Em quinze minutos ela transformou-se na louca de olhar sonhador e lábios de nuvens e esqueceu que o mundo existia fora das quatro paredes.
Por quinze minutos provou da insanidade mais doce que poderia aturdir-lhe os sentidos.
Com dentes em seu pescoço e mãos em suas ancas, sentiu-se livre. O resto do mundo deixou de existir... por quinze minutos.

domingo, 16 de setembro de 2007

loneliness...


She wanted to go for a walk. She needed to be alone for a while. The room was empty and there was nothing left there, but she could still feel the ghosts of the past days dancing and swirling in the cold room.
Now she needs to learn to dance by herself... all by herself.
Poor Marie...

sonhos, razão e coração...


Os sonhos insistem em pregar peças. Abro os olhos e vejo que a boca diz coisas que o coração não sente. Se o sonho é reflexo do que cobiçamos acordados, então o coração sobrepuja a razão. Razão mentirosa... Continuo repetindo que não quero, não vou e não sinto... Mas eu desejo, estou a caminho e o sentimento transborda por todos os poros de meu corpo.
Razão leviana... O coração mandou que ela se calasse...


sábado, 15 de setembro de 2007

5 dias...


Tirei a roupa velha e andei nua por algum tempo. O difícil é escolher o que vestir quando não se sabe se fará frio ou calor. Permaneci nua e descalça, pois precisava sentir que estava de volta à minha pele, havia entrado novamente em mim.

E, depois de quatro meses, por causa dos útimos cinco dias, percebi que não preciso de outra morada. Os visitantes muitas vezes encontraram as portas fechadas e uma placa dizendo: "Viajando. Favor entregar as correspondências na casa ao lado. Responderei quando retornar."
Acabo de chegar. Abri as portas e escancarei as janelas. Deixei o sol entrar e removi os lençóis brancos dos móveis empoeirados. Mudei a mobília de lugar.
Agora sim. Sinto-me feliz. Sinto-me em casa.
Ouço batidas à porta... Preciso atender...

Meu lar é aqui: faço morada em mim.


quarta-feira, 12 de setembro de 2007

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

last visitors...


Technology is something really great...


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sexta-feira, 7 de setembro de 2007

ciúmes...

"Como ciumento sofro quatro vezes: porque sou ciumento, porque me reprovo de sê-lo, porque temo que meu ciúme machuque o outro, porque me deixo dominar por uma banalidade: sofro por ser excluído, por ser agressivo, por ser louco e por ser comum."

[Roland Barthes]


terça-feira, 4 de setembro de 2007

asfixia...


Tentava respirar mas o ar não alcançava os pulmões... Havia mãos apertando-lhe o pescoço. Braços e pernas debatiam-se numa tentativa desesperada de libertação. O selvagem sorria à medida que os olhos dela refletiam as nuvens escuras. As unhas rasgavam a carne mas ele era imune a dor.
Aos poucos, o colo parou de saltar. Braços e pernas, antes ferozes soldados tentando vencer a batalha, tornaram-se passivos. Os olhos continuaram abertos, mas haviam perdido definitivamente o brilho. Havia sangue nas unhas.
E assim, aquele que um dia dissera que a amava, beijou os lábios frios e pálidos de Genevieve e levantou-se, olhando para o corpo nu.
- Je suis très désolé, mon cher Genevieve. Je suis très désolé...


sábado, 1 de setembro de 2007

vitium...


Segundo a Wikipédia: "tendência habitual para certo mal, sendo oposto à virtude."

O que seria do homem sem seus vícios?
Assim como o bem e o mal residem dentro de cada um, não há como separar virtude e vício. Um complementa o outro. É o equilíbrio necessário para que não haja o excessivamente bom ou o completamente mau.
Sou feita de vícios e virtudes, assim como há dias de sol e outros de tempestade...

"Sim, eu me amo como sou e com todos os meus vícios e limitações, mas isso não significa forçosamente que é assim que estarei amanhã. Só significa que gosto de mim como sou agora."

[Leo Buscaglia]