EGO

"Eu não sou promíscua. Mas sou caleidoscópica: fascinam-me as minhas mutações faiscantes
que aqui caleidoscopicamente registro."

(Clarice Lispector)

quarta-feira, 4 de junho de 2014

do resto

Do resto eu me esqueço. Literalmente.

Cultura: décadence avec élégance

Depois da prostituição do futebol e do carnaval, agora vemos a prostituição da Cultura no Brasil. A Cultura está em greve, a Cultura está doente e capenga. A Cultura vive de aparência (que fique claro que falo da Cultura institucionalizada do país).
Não, não vou discutir o que é Cultura. Ao contrário, falemos sobre o que a Cultura não deveria ser (porque ela anda travestida e com botox): a Cultura não deveria ser balcão de serviços para políticos fracassados bancarem campanhas disfarçadas de projetos culturais. A Cultura não deveria ser um punhado de lindos prédios históricos ruindo de dentro pra fora, degradando homeopática e arrasadoramente os acervos históricos e, consequentemente, a memória cultural do país. A Cultura não deveria ser ou ter uma meia dúzia de servidores mal remunerados que assumem o papel de guardiões dos tesouros culturais nacionais que o próprio Estado se encarrega de destruir, na medida do descaso, da imprudência e do vandalismo com que trata os servidores e os aparelhos culturais. A Cultura não pode ser alicerçada por pequenos feudos e não precisa de senhores que assumam posições meramente políticas, assim como a Saúde não precisa de economistas assumindo as salas de cirurgia do SUS. A Cultura é da Cultura.
A Cultura não consegue relaxar, menos ainda gozar. Não se goza com estupro. Não dá pra gozar se prostituindo.